08
jun

O custo humano da produção barata

É em meio a uma grande comoção que a Apple lançou ontem o iPhone 4, na Worldwide Developers Conference, em San Francisco. Embora o público estivesse esperando por esse lançamento, não é isso que tem mantido a Apple em foco no momento. Na verdade, os suicídios de trabalhadores na fábrica chinesa que produz o iPad é o maior motivo de tanta atenção.

A empresa chinesa Foxconn- do grupo taiuanês Hon Hai, a maior fabricante mundial de eletrônicos, registrou 10 suicídios apenas em 2010, além de 2 tentativas frustradas. Isso atraiu a atenção mundial para as condições de trabalho na fábrica e obrigou empresas como Apple, Dell e Hewlet-Packard a se pronunciarem. Inicialmente, todas declararam que estavam consternadas e que examinariam o caso de perto, embora não tenha ficado muito claro como.


A fabricante declarou que simplesmente não sabe como parar a onda de suicídios e uma das notícias que veio em seguida foi o aumento salarial (30%) para as centenas de milhares de trabalhadores do complexo. No entanto, entrevistas concedidas anonimamente a revistas e jornais deixaram claro que o problema é bem maior do que um salário baixo.

Além das condições de trabalho serem insalubres, da jornada de trabalho ser de 12 horas – muitas vezes acrescida de horas extras – e dos trabalhadores serem constantemente xingados aos gritos, o que levou essas pessoas ao limite é que o sistema tira deles a “humanidade”, transformando-os em meros robôs. Eles não podem falar com outras pessoas enquanto trabalham, só podem ir ao banheiro em intervalos de 2 horas, fazem exatamente a mesma coisa todos os dias e, por não terem nenhum tipo de desenvolvimento, não têm perspectiva de futuro. Um jovem disse “A vida não tem sentido”.

A Foxconn informou que disponibiliza psicólogos para seus trabalhadores, procurando assim auxiliar no bem-estar emocional das pessoas que estão longe de casa e sem amigos. Por outro lado, os empregados dizem que não há tempo para usar esses serviços.

A empresa declarou, em um e-mail, que “As políticas e práticas de trabalho da Foxconn estão alinhadas com o padrão industrial e são frequentemente revisadas pelas autoridades governamentais e pelos consumidores”. (Isso deveria significar que está tudo certo?)

O caso gerou impacto direto nas marcas com produtos fabricados lá. E-mails de formadores de opinião diretamente para Steve Jobs cobravam uma atitude mais transparente.

Obviamente, a Apple não é a única cliente da empresa – eles produzem para Dell, HP, Sony e Nokia, entre outros. Mas os produtos da Apple é que são sonhos de consumo global. É o iPad produzido nessa fábrica que vendeu mais de 2 milhões de unidades em menos de 60 dias. Por isso, sem dúvida, a Apple fica mais visada.

E isso tudo também deixa Steve Jobs de mãos atadas, pois o iPad já está em larga produção na Foxconn. Imagine o que seria romper um contrato monumental e buscar outro fabricante tão especializado neste momento. A espera pelo iPad seria pelo menos o dobro da atual. Por isso é mais interessante para a Apple ajudar na solução do problema. Inclusive, existem rumores de que Steve Jobs daria participação nos lucros para os funcionários da Foxconn (nenhuma das empresas confirmou).

Outro rumor, este mais provável, é que os produtos vão ter seu preço reajustado para compensar o aumento dos salários. A assembléia de acionistas do Grupo Hon Hai está acontecendo hoje, em Hong Kong, e já existem grupos protestando pelo que parece ser o caso Nike dos eletroeletrônicos.


Qual é a sua opinião sobre esse caso? Você aceitaria que os produtos fossem mais caros se isso significasse melhores condições de vida e de trabalho para quem produz?


Informações de artigos da Business Week Online, G1 e MacMagazine

por: Marketing Viewer
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Categoria: Empresas, Marca, Mercado, Produto

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